Felippe Moraes
Tubos Sonoros
, 2014
Aço inoxidável, chapa de aço pintada e acrílico
Dimensões variáveis

A série Tubos Sonoros (2014), de Felippe Moraes, é uma escultura sonora que se realiza plenamente na presença do corpo do espectador. Para experimentar a obra, o público deve aproximar o ouvido das extremidades dos cilindros metálicos e escutar as ressonâncias que emergem de seu interior, em um gesto que lembra a escuta do mar dentro de uma concha.

Cada tubo emite uma nota musical distinta. Ao percorrer a sequência dos cilindros, é possível ouvir as notas em ordem — como se estivéssemos acompanhando uma escala tonal — ou explorá-las livremente, criando novas combinações e relações sonoras.

Os Tubos Sonoros foram desenvolvidos em colaboração com engenheiros de som. Cada cilindro foi produzido em aço inoxidável e cortado em dimensões específicas para que pudesse emitir suavemente uma nota musical determinada.

A escultura foi afinada para produzir oito notas, de dó a dó uma oitava acima. A frequência de cada som é definida pelo tamanho do tubo: quanto maior o cilindro, mais grave a nota; quanto menor, mais agudo o som.

As vibrações não são projetadas para o espaço como em um instrumento musical convencional. Elas se manifestam como um sopro sonoro discreto, audível apenas quando o visitante se aproxima das saídas de ar e escuta atentamente.

Em Tubos Sonoros, a escultura transforma matéria industrial em instrumento de percepção. O aço inoxidável, normalmente associado à rigidez e à estrutura, é reorganizado para revelar propriedades acústicas quase imperceptíveis.

A obra investiga assim a possibilidade de extrair música de uma configuração mínima de matéria. O espectador torna-se parte ativa desse processo: ao aproximar o ouvido, ativa uma experiência de escuta íntima e silenciosa, na qual cada tubo revela sua nota e cada percurso compõe uma nova sequência de sons.

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