Felippe Moraes
Solfejo,
2014
Impressão fotográfica sobre papel fine art
39,5 × 59 cm (cada)
Ed. 5 + 2PA

A série fotográfica Solfejo (2014), de Felippe Moraes, investiga a relação entre música, corpo e sistemas de conhecimento. O trabalho parte do método criado pelo monge italiano Guido D’Arezzo no século X para o ensino da escala musical, conhecido como mão guidoniana.

Nesse sistema pedagógico medieval, diferentes partes da mão correspondem às notas da escala, de Dó a Si. O gesto funcionava como uma ferramenta mnemônica que permitia memorizar intervalos musicais, reger corais sem interromper o canto e praticar exercícios de solfejo.

Nas fotografias, o artista revisita esse dispositivo histórico de notação musical, transformando-o em imagem. A mão, que originalmente servia como mapa para a música, torna-se também superfície simbólica onde conhecimento, corpo e linguagem se encontram.

A obra revela como sistemas criados para organizar o som podem atravessar séculos e adquirir novas formas no campo da arte contemporânea. Ao deslocar o método medieval para a fotografia, Felippe Moraes aproxima história da música, gesto corporal e investigação visual.

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