Construção, 2011
Exposição Individual
Paço das Artes
Texto curatorial de Fernanda Lopes
São Paulo

Textos curatoriais

Tapumes magenta com projeção de vídeos da série Encarnado na exposição Construção de Felippe Moraes no Paço das Artes.Tapumes magenta com projeção de vídeos da série Encarnado na exposição Construção de Felippe Moraes no Paço das Artes.

Realizada no Paço das Artes em 2011, a exposição Construção (2011) marca a primeira individual institucional de Felippe Moraes. Com texto curatorial de Fernanda Lopes, o projeto apresenta um conjunto de obras que investigam a condição humana como processo contínuo, tomando a construção como metáfora central.

A exposição articula materiais prosaicos, estruturas arquitetônicas e sistemas simbólicos para propor uma leitura do mundo que oscila entre o racional e o sensível. Números, ferramentas, superfícies e gestos cotidianos são reorganizados para revelar tensões entre lógica e mistério.

Inspirada na canção Construção (1971) de Chico Buarque, a exposição sugere que pequenas variações na ordem dos elementos produzem deslocamentos radicais de sentido. A repetição, a inversão e a reorganização tornam-se estratégias para acessar camadas invisíveis da realidade.

A exposição se constrói como um ambiente que alterna entre exterior bruto e interior depurado. Do lado de fora, tapumes magenta remetem diretamente ao universo da construção civil.

Vídeos vermelhos da série Encarnado (2010-11) são projetados sobre essa superfície, apresentando ações simples que evocam esforço, repetição e intenção.

Ao atravessar esse limite, o visitante entra em um espaço silencioso e claro. Nesse ambiente, a dimensão construtiva deixa de ser literal e passa a operar como linguagem simbólica.

A instalação Entranha (2011) revela uma superfície dourada escondida dentro da parede. O gesto de ruptura expõe uma dimensão oculta do espaço, propondo a existência de camadas invisíveis no ambiente construído.

A Gênese (2009-11) apresenta um prumo suspenso que se aproxima de um montículo de terra sem tocá-lo. A obra articula equilíbrio, gravidade e origem, estabelecendo uma tensão entre precisão técnica e dimensão simbólica.

O desenho instalativo π (2011) apresenta milhares de casas decimais da constante matemática escritas manualmente sobre a parede. O gesto repetitivo aproxima-se de uma prática meditativa e sugere uma tentativa de apreender o infinito por meio da linguagem numérica.

Quatro Paredes Mágicas (2011) projeta um quadrado de luz em movimento sobre a planta do espaço expositivo desenhada na parede. A obra sugere a presença de uma arquitetura invisível que se desloca lentamente, revelando um espaço que não pode ser plenamente apreendido.

Ungido (2011) e Projeto e Execução (2010) utilizam ferramentas como martelos para refletir sobre transformação, valor e ação. Os objetos transitam entre função prática e dimensão simbólica, questionando os limites entre ideia e realização.