Felippe Moraes
Divino Maravilhoso, 2019
Néon
140 × 110 cm

A obra Divino Maravilhoso (2019), de Felippe Moraes, consiste em uma escultura em néon que evoca uma das canções mais emblemáticas da música popular brasileira. A frase luminosa remete ao refrão da música composta por Caetano Veloso e Gilberto Gil em 1968 e eternizada na interpretação de Gal Costa.

Na exposição Solfejo (Centro Cultural FIESP, 2019), em que foi apresentada pela primeira vez, as referências à música aparecem tanto em trabalhos que produzem ou transformam som quanto em obras que partem de letras e melodias para construir um campo poético e visual. Nesse contexto, o néon atua como uma linguagem direta e vibrante, aproximando o universo da arte contemporânea da intensidade expressiva da canção popular.

A escolha do verso enfatiza a natureza repetitiva e marcante do refrão, elemento central na memória coletiva das canções. A luminosidade intensa do néon amplifica essa qualidade, transformando a palavra em presença física e espacial.

Ao se deparar com a obra, o espectador é levado a recordar mentalmente a sequência da letra, que ressoa como um alerta ainda atual: “É preciso estar atento e forte / Não temos tempo de temer a morte”. Assim, a escultura articula memória musical, cultura popular e linguagem visual em um gesto de síntese entre arte e música.

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