Progressão
por Michelle Sommer, 2016
Progressão – Exposição Individual
MAC Niterói
Vinte e seis bandeiras assentam-se sobre a rampa modernista e estão justapostas à paisagem monumental da Baia da Guanabara. No movimento de subir e descer a rampa, a dimensão experiencial da arquitetura é ativada e conecta bandeiras, rampa e paisagem e dá sentido à proposição artística.
Felippe Moraes, em rigorosos cálculos de gradações de cores, apresenta uma progressão de bandeiras de tons do preto ao branco (para a subida) ou do branco ao preto (para a descida). As bandeiras são símbolos visuais representativos de alguma soberania ou entidade constituída. Bandeiras nos remetem à territorialidade, às linhas negras divisórias de fronteiras entre países, nas marcações de base cartográfica. Nas fronteiras do mar, as linhas divisórias, embora invisíveis, não significam inexistências. Bandeiras são, simultaneamente, indicativas de territórios e representações simbólicas.
Bandeira preta é luto e bandeira branca é paz – ou rendição às forças superiores. Entre os extremos – de um lado o luto pelo nosso momento político e de outro lado a neutralidade ou a apatia imóvel – residem muitas nuances de cinzas. A escala gradativa de cinzas indica que nem tudo é determinado como nos extremos; mas tudo está em determinação no caminho. No caminho, sobre a rampa de curva sinuosa de cálculo preciso e paisagem orgânica dispersa ao fundo, Felippe Moraes intervém e, progressivamente, impulsiona movimentos para diluir os absolutos.
Michelle Sommer
2016