Verbo e O Peso do Verbo

por Isabella Rjeille, 2014

Trienal FRESTAS
SESC Sorocaba

Muitos são os nomes utilizados para referir-se ao divino no cristianismo, porém nenhum deles é o nome próprio de Deus – de origem latina, “Deus” significa “divindade”. Designado por seus adjetivos, “Deus” também é o Altíssimo, a Verdade, o Verbo, etc. Ao subtrair “Deus” em Verbo, Felippe Moraes empenha-se em uma tarefa sisífica: compreendê-lo pelo que se traduz Dele aos homens, seus adjetivos, nomes, a própria criação. No entanto, o peso de 5.101 “Deus” é apenas 15 g, medida ínfima para entender o infinito.

A transmutação de palavra em matéria em O Peso do Verbo nos recorda um gabinete de alquimia. Os 72 potes de vidro, cada qual com 15 g de materiais condutores de eletricidade, equivalem a 72 nomes de Deus segundo o misticismo judaico. Capaz de gerar luz e proporcionar movimento, a eletricidade é uma existência invisível que se aloja como “alma” na matéria capaz de conduzi-la.

O sal sobre a balança é um elemento central, tanto na alquimia quanto na religião: capaz de ligar corpo e alma na alquimia, recomenda-se ao fiel que seja “sal na terra” no cristianismo. Traduzido em predicado (a criação), temos então Deus como sujeito. Porém, uma falência ainda se anuncia: como compreender o que não se dá à compreensão, mas ao ato de fé? Ainda que sujeito e predicado se confundam, o verbo permanecerá sendo.

Isabella Rjeille
2014

Originalmente publicado no catálogo da Trienal FRESTAS, 2014 – SESC Sorocaba.