




Felippe Moraes
série Solaris Discotecum, 2023
néons de argônio, corrente elétrica, globo de espelhos, nylon, aço, chumbo e motor elétrico
dimensões variáveis
A série Solaris Discotecum (2023), de Felippe Moraes, propõe um modelo cósmico no qual as doze constelações do zodíaco circundam simbolicamente a órbita da Terra ao redor do Sol. A instalação articula referências à astronomia, à história da ciência e à tradição da chamada “música das esferas”, que interpreta o movimento dos corpos celestes como uma forma de harmonia universal.
O projeto retoma questões exploradas pelo artista na obra Harmonices Mundi (2017), inspirada no livro homônimo publicado em 1619 pelo astrônomo Johannes Kepler. Partindo da ideia de que o movimento dos planetas poderia ser compreendido como música, a obra propõe um exercício poético: imaginar o cosmos como uma pista de dança infinita, na qual os corpos celestes se movem em coreografias silenciosas.

Orbis Solaris
No centro da instalação encontra-se Orbis Solaris (2023), uma escultura composta por um globo de espelho de cinquenta centímetros de diâmetro em torno do qual orbita continuamente uma pequena esfera de chumbo de cinco milímetros. A relação de escala entre os dois elementos reproduz aproximadamente a proporção entre os diâmetros do Sol e da Terra.No centro da instalação encontra-se Orbis Solaris (2023), uma escultura composta por um globo de espelho de cinquenta centímetros de diâmetro em torno do qual orbita continuamente uma pequena esfera de chumbo de cinco milímetros. A relação de escala entre os dois elementos reproduz aproximadamente a proporção entre os diâmetros do Sol e da Terra.
Esse movimento contínuo estabelece um eixo cinético que organiza a instalação, sugerindo simultaneamente o funcionamento mecânico de um modelo astronômico e o ritmo circular de uma pista de dança.
No perímetro da obra, tubos de néon delineiam os contornos das doze constelações do zodíaco. Esses agrupamentos estelares foram observados e sistematizados pelos babilônios na Antiguidade, embora versões de seus mitos e narrativas apareçam em diferentes culturas ao longo da história.
Os desenhos luminosos apresentados na instalação foram desenvolvidos a partir da análise de centenas de mapas celestes históricos. A partir dessa pesquisa, foram selecionados elementos essenciais de cada representação e conciliadas variações entre diferentes cartografias. O resultado é uma síntese visual dessas figuras transmitidas por milênios — quase como uma espécie de pintura rupestre projetada no céu.


Matéria Estelar
Cada uma das esculturas luminosas é formada por tubos de vidro preenchidos com argônio, um gás nobre produzido no interior de estrelas massivas. Assim, as constelações representadas na instalação são construídas a partir do mesmo tipo de matéria gerada nos processos nucleares das estrelas.
Nesse sentido, Solaris Discotecum estabelece um curto-circuito poético entre representação e origem material. A matéria que compõe a obra é também matéria estelar. A estrela que brilha no céu é a mesma que, transformada em gás luminoso, brilha na Terra.
As constelações zodiacais presentes em Solaris Discotecum também revelam a dimensão cultural da observação do céu. Embora sejam frequentemente associadas à astrologia, essas figuras surgiram originalmente como formas de orientação e memória. Ao conectar estrelas aparentemente dispersas por meio de linhas imaginárias, diferentes civilizações criaram narrativas visuais capazes de organizar o firmamento e transmitir conhecimento entre gerações.
Ao transformar essas constelações em esculturas de néon, a obra traduz um sistema simbólico ancestral para uma linguagem contemporânea. A luz artificial que delineia as figuras no espaço expositivo estabelece um paralelo entre a experiência urbana e a observação noturna do céu. O visitante se encontra, simultaneamente, diante de um mapa estelar e de um ambiente luminoso que lembra tanto a paisagem noturna das cidades quanto a atmosfera de uma pista de dança.
Esse encontro entre referências científicas, mitológicas e sensoriais aproxima Solaris Discotecum de uma tradição artística que investiga os vínculos entre arte e cosmologia. A instalação convida o público a perceber o espaço expositivo como um microcosmo, no qual escalas astronômicas são traduzidas em relações visuais e corporais acessíveis à experiência humana.
Principais Exposições
- 2026 – Telúricos – Galeria Nara Roesler (São Paulo, Brasil)
- 2025 – Solfejo – CAIXA Cultural Curitiba (Paraná, Brasil)
- 2025 – Solfejo – CAIXA Cultural Rio de Janeiro (Rio de Janeiro, Brasil)
- 2024 – Solfejo – CAIXA Cultural Brasília (Distrito Federal, Brasil)
- 2024 – Ovo Cósmico – Verve Galeria (São Paulo, Brasil)