Felippe Moraes
Não Deixe o Samba Morrer, 2021
Madeira, alumínio, resina, aço e gravação a laser
Ed. 12 + 4 PA
62,6 × 35,8 × 24,4 cm

Criada em 2021, no ano em que o Carnaval foi interrompido pela pandemia, a escultura Não Deixe o Samba Morrer, de Felippe Moraes, surge como um relicário dedicado à memória do samba. Ao mesmo tempo em que guarda a evocação dessa tradição musical, a obra depende da ação do visitante para que a música se manifeste.

O objeto assume a forma de um pequeno instrumento: ao tocar as sete teclas de marimba com a baqueta de ponta vermelha, o público ativa a melodia da canção “Não Deixe o Samba Morrer”, composta por Edson Conceição e Aloísio Silva e eternizada na voz de Alcione em 1975.

Assim como o título da obra, a própria canção dirige-se diretamente ao interlocutor. O gesto de tocar o instrumento convoca o visitante a participar desse chamado, colocando o samba novamente em circulação — seja pelo som, pela lembrança ou pelo desejo de cantar e dançar.

Os acordes evocam os versos seguintes da música, amplamente reconhecidos na cultura brasileira, que falam das origens do samba e de sua potência para reinventar a vida mesmo em contextos de precariedade.

A obra se desenvolve a partir de uma pesquisa sobre o samba e o Carnaval como fenômenos culturais e afetivos. Por meio de um design concebido com fins poéticos, o objeto propõe experiências sinestésicas e corporais que emergem da interação direta com o público.

Construído para tocar apenas um fragmento específico de uma música, o instrumento transforma a escultura em um dispositivo de memória. Cada toque reitera a urgência inscrita no próprio título da obra: não deixe o samba morrer, não deixe o samba acabar.

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