



Felippe Moraes
Aqui Passaram, 2025
Gravação a laser sobre pedra, fragmentos da Av. Marquês de Sapucaí, Av. Rio Branco e Av. Presidente Vargas
Dimensões variáveis
Aqui Passaram (2025), de Felippe Moraes, investiga as relações entre memória urbana, cultura popular e história política no Brasil. A obra é composta por pedras nas quais foram gravados a laser trechos da canção Vai Passar (1984), de Chico Buarque, dispostos em forma circular ao redor de fragmentos de pavimento retirados de importantes avenidas do Rio de Janeiro: a Av. Marquês de Sapucaí, a Av. Rio Branco e a Av. Presidente Vargas. Esses locais desempenharam papéis fundamentais na história dos desfiles das escolas de samba no Rio de Janeiro ao longo do século XX.
Em cada pedra estão inscritos os versos “Aqui passaram sambas imortais”, “Aqui sangraram pelos nossos pés” e “Aqui sambaram nossos ancestrais”. Escrita nos anos finais da ditadura militar brasileira, a música tornou-se um símbolo do desejo coletivo de transformação política e social. Em sua narrativa poética, o carnaval aparece como metáfora de renovação histórica, evocando um momento em que a festa popular se converte em alegoria de libertação.
A canção Vai Passar, composta por Chico Buarque em 1984, tornou-se uma das obras mais emblemáticas da música brasileira ao tratar do processo de redemocratização do país. Em sua letra, o carnaval surge como imagem simbólica da passagem do tempo histórico, sugerindo que momentos de opressão também são transitórios.
Ao incorporar fragmentos dessa canção em sua obra, Felippe Moraes conecta arte contemporânea e memória política. Os versos gravados nas pedras funcionam como vestígios de um momento histórico específico do Brasil, mas também como evocações mais amplas da capacidade do carnaval de traduzir tensões sociais e esperanças coletivas.
A obra transforma palavras originalmente cantadas em inscrições permanentes sobre a matéria mineral, criando uma relação entre a fluidez da música e a permanência da pedra.