Felippe Moraes
The Drag That Said Phi
, 2017
Color HD Video – Stereo Sound
08’05”
Ed. 05 + PA
[Coleção MACRS]

The Drag That Said Phi (2017) apresenta a performer Alaska Thunderfuck recitando os primeiros dígitos do número irracional conhecido como phi (1,618…). Historicamente associado a ideias de harmonia e perfeição formal na tradição estética ocidental, esse valor matemático surge no vídeo como matéria vocal e performática. Ao enunciar uma sequência potencialmente infinita, o trabalho transforma um conceito abstrato em gesto corporal e sonoro.

A figura queer diante desse símbolo clássico da história da arte tensiona noções tradicionais de beleza que moldaram o imaginário cultural do Ocidente. Ao deslocar essa referência matemática para o território da performance e da identidade, a obra questiona valores estéticos profundamente normativos que ajudaram a estabelecer concepções limitadoras do belo, muitas vezes vinculadas a perspectivas brancas e heteronormativas.

Realizado em uma única tomada, o vídeo enfatiza o olhar e a atuação da artista enquanto a sequência numérica avança de forma hipnótica. A repetição progressiva dos dígitos cria uma atmosfera que oscila entre rigor matemático e experiência quase meditativa. Ao tentar pronunciar uma sequência interminável, o trabalho evidencia os limites da linguagem e da razão diante da ideia de infinito.

Principais Exposições

A Trilogia Queer

The Drag That Said Phi (2017) integra a trilogia criada por Felippe Moraes dedicada a artistas da cena LGBTQIA+ colocados em situações conceituais inesperadas.

A série inclui também Panthera Lemniscata (2021) e A Tábua de Esmeralda (2022). Em cada uma dessas obras, artistas ligados à cultura noturna aparecem discutindo temas como matemática, cosmologia ou espiritualidade.

Ao aproximar universos culturais distintos, o conjunto propõe uma reflexão sobre como diferentes tradições de conhecimento podem se encontrar e gerar novas narrativas visuais.