Progressão, 2016

Exposição Individual
MAC Niterói
Texto curatorial de Michelle Sommer
Niterói – Brasil

A exposição Progressão (2016), individual de Felippe Moraes no Museu de Arte Contemporânea de Niterói, apresenta uma instalação composta por vinte e seis bandeiras que revelam, em gradação precisa, a porcentagem de preto em cada tom de cinza. A obra se insere diretamente na arquitetura de Oscar Niemeyer e na paisagem da Baía de Guanabara, criando uma experiência que depende do deslocamento do corpo e da ação do vento.

Ao longo da rampa do museu, o público percorre uma progressão contínua que vai do preto absoluto ao branco total, enquanto os números inscritos nas bandeiras operam em contraste, invertendo essa lógica tonal. Essa inversão tensiona a relação entre linguagem matemática e percepção sensível, colocando em dúvida a estabilidade dos sistemas que usamos para compreender o mundo.

Entre extremos visuais e conceituais, a exposição propõe um campo de nuances. A obra sugere que, tanto na experiência estética quanto nas dimensões políticas e emocionais, existem zonas intermediárias que escapam às leituras binárias, afirmando a complexidade como condição fundamental da realidade.

Texto curatorial