Felippe Moraes
Canta Forte/Alto,
2021
Letreiro em néon
Instalação apresentada na Biblioteca Mário de Andrade, São Paulo
Coleção Museu de Arte do Rio

A obra Canta Forte/Alto (2021), de Felippe Moraes, consiste em um letreiro em néon que transforma um verso do samba “Canta, canta, minha gente”, de Martinho da Vila, em escultura luminosa. A peça foi instalada pela primeira vez na Biblioteca Mário de Andrade, no centro de São Paulo, ocupando o espaço urbano com uma frase curta, direta e carregada de potência cultural durante a pandemia de Covid-19.

O trabalho apareceu pela primeira vez no contexto do projeto individual Samba da Luz, realizado por Moraes durante o período da pandemia, em 2021. Nesse projeto, o artista investigou a presença do samba como linguagem coletiva e memória cultural por meio de frases retiradas do repertório da música brasileira, convertidas em inscrições luminosas.

A frase “Canta Forte/Alto” possui uma pulsão poética que conclama o leitor a uma ação. Ao surgir como letreiro luminoso, o verso deixa de existir apenas como parte de uma canção no imaginário coletivo e passa a ocupar o espaço físico como imagem e presença material, alterando tanto a paisagem quanto a memória da canção.

Posteriormente, a obra foi apresentada em outras situações, como o Festival SESC de Inverno, em 2025, no Parque Municipal de Itaipava, em meio ao público que assistia aos shows — deslocando o letreiro de sua condição monumental original para uma convivência direta com o corpo coletivo que a canção evoca.

Para a itinerância da mostra individual Solfejo, a peça ganhou também uma versão em escala menor, mais próxima da medida humana, aproximando fisicamente a obra do espectador e revisitando, em outra chave, a relação entre a memória de uma música e experiência do espaço que atravessa toda a série Samba Exaltação.