
Felippe Moraes
Anunciar o dia / Amenizar a noite,
da série SAMBA EXALTAÇÃO, 2021
néon
130 x 130cm
Ed. 3 + 1PA
[Coleção Museu de Arte do Rio}
Na obra Anunciar o dia / Amenizar a noite, o artista ilumina em néon um verso da canção Minha missão (1981), de Paulo César Pinheiro e João Nogueira. Ao referenciar esses compositores, Moraes não apenas homenageia o samba como também revela suas próprias motivações artísticas. Ele se conecta aos sambistas que cantam a experiência da criação — seus enigmas, potências e delicadezas.
O círculo luminoso propõe um eterno retorno entre noite e dia, som e silêncio — um fluxo onde gerações de artistas se revezam ao longo do tempo, cada uma buscando, à sua maneira, sentido e expressão nas perguntas que as atravessam.
Felippe Moraes
Uma pausa de mil compassos, da série SAMBA EXALTAÇÃO, 2021-22
néon
60 x 200cm
Ed. 3 + 1PA
[Coleção Museu de Arte do Rio}
Na obra Enquanto houver samba (2021), o artista apresenta em néon um trecho do samba De Qualquer Maneira, composto por Candeia em 1971. A frase luminosa afirma a persistência dessa tradição cultural como força vital capaz de atravessar adversidades históricas. Ao transformar o verso em escultura de luz, a obra reforça a ideia de continuidade e resistência que atravessa o samba, sugerindo que sua presença permanece acesa mesmo diante das transformações e tensões da vida urbana.


Felippe Moraes
Exaltação à Vai-Vai, da série SAMBA EXALTAÇÃO, 2022
néon
Ed. 3 + 1 P.A.
O néon Exaltação à Vai-Vai (2022) parte de um verso do samba Tradição, composto em 1928 por Henrique Filipe da Costa. Em uma década marcada pelo modernismo e por profundas transformações urbanas, o samba afirmava sua presença entre a memória ancestral e a emergência de uma nova cultura urbana. Enquanto as cidades se expandiam e os corpos eram moldados pelo ritmo da industrialização, os batuques persistiam como expressão viva de criação coletiva, fazendo ecoar versos que atravessam o tempo.
A obra evoca também a história da escola Vai-Vai, frequentemente chamada de escola-mãe do Bixiga. Sua trajetória carrega a marca da resistência cultural em meio a uma cidade que constantemente ameaça apagar seus próprios gestos de origem. Nesse contexto, o samba reaparece como lembrança de uma força criativa que insiste em existir. Mesmo comprimido entre concreto e asfalto, ele encontra brechas para continuar vibrando, reafirmando a potência inventiva que atravessa a vida urbana.
Felippe Moraes
CANTA FORTE/CANTA ALTO, da série SAMBA EXALTAÇÃO, 2021-24
néon intermitente
700 x 80 cm

O néon “CANTA FORTE/CANTA ALTO” foi primeiro apresentado em uma versão de 7m de comprimento na fachada da Biblioteca Mário de Andrade em São Paulo durante a pandemia em 2021. A obra pública, aqui apresentada em um formato reduzido, traz dois versos da canção “Canta, canta minha gente” de Martinho da Vila. Em muitas tradições de terreiro afro-brasileiras, os verbos cantar e encantar são próximos e intimamente imbricados. Dessa maneira, a obra nos conclama a uma transformação da vida e das relações a partir do canto. A partir dessa compreensão, evocamos o verso seguinte da canção que nos diz, como consequência, que “a vida vai melhorar”.
As canções apresentadas na série “SAMBA EXALTAÇÃO” recorrem à popularidade de suas melodias associadas aos seus versos e inscritos no inconsciente coletivo. Ao lermos as palavras que se sucedem ritmicamente pelo acender e apagar do néon, podemos ouvir no fundo de nossas mentes as vozes que já ouvimos cantar esse samba. Assim, esse trabalho luminoso, configura-se também como uma obra sonora em silêncio, recorrendo à memória para cantarolarmos mentalmente.

Uma pausa de mil compassos, da série SAMBA EXALTAÇÃO, 2021-22
néon intermitente
50 x 10cm
Compreendendo o samba como uma prática filosófica brasileira, a série SAMBA EXALTAÇÃO estabelece-se pela ação de iluminar em néon potentes trechos de canções populares. Retirado da música “Para ver as meninas” (1971) de Paulinho da Viola, a frase “Uma pausa de mil compassos” acende e apaga no espaço de um segundo configurando-se em uma espécie de metrônomo silencioso.
Aqui, a obra fala sobre a temporalidade musical, mas também sobre seu esgarçamento em uma experiência que é absolutamente pessoal e arbitrária. O conceito de compasso permite que o compreendamos como uma breve fração de segundo ou como a duração de uma era geológica.
Principais Exposições
- 2025 – Festival SESC de Inverno – Parque de Itaipava (Rio de Janeiro, Brasil)
- 2025 – Solfejo – CAIXA Cultural Curitiba (Paraná, Brasil)
- 2025 – Solfejo – CAIXA Cultural Rio de Janeiro (Rio de Janeiro, Brasil)
- 2024 – Solfejo – CAIXA Cultural Brasília (Distrito Federal, Brasil)
- 2022 – Rotas Brasileiras / Verve Galeria (São Paulo, Brasil)
- 2022 – O que há de música em você – Galeria Athena (Rio de Janeiro, Brasil)
- 2022 – Arte e Tecnologia: Uma revolução em curso – MIS SP (São Paulo, Brasil)
- 2021 – Projeto Pilotis – Museu de Arte do Rio (Rio de Janeiro, Brasil)
- 2021 – Samba Exaltação – MAC Niterói (Rio de Janeiro, Brasil)
- 2021 – Ministério da Solidão – Oficina Oswald Andrade (São Paulo, Brasil)