Felippe Moraes
Movimento Pendular, 2015–2017
Impressão fotográfica sobre papel fine art
100 × 100 cm / 30 x 30 cm

A série Movimento Pendular se inicia em 2014 com duas instalações e se expande para esse conjunto fotográfico de 2015 a 2017. Felippe Moraes registra trajetórias de luz produzidas por uma lanterna suspensa por um fio acima da lente de uma câmera fotográfica. Com o diafragma aberto por sessenta segundos, a câmera capta o rastro luminoso gerado pelo deslocamento pendular, transformando o movimento em desenho.

As imagens resultantes não representam apenas gestos livres, mas trajetórias governadas por leis físicas. O pêndulo, dispositivo clássico de observação do tempo e da gravidade, produz padrões de oscilação que se tornam visíveis na superfície fotográfica.

Cada fotografia funciona como um índice direto de um movimento real. O sensor da câmera registra o percurso da luz no espaço, criando figuras que revelam equilíbrio, repetição e harmonia. A série integra a pesquisa de Felippe Moraes sobre pêndulos, sistemas físicos e a presença de estruturas matemáticas e naturais na formação das imagens.

Fotografia da série Movimento Pendular de Felippe Moraes mostrando rastro de luz produzido por lanterna em movimento pendular.

Fotografia como registro do movimento

Em Movimento Pendular, a fotografia funciona como um instrumento capaz de tornar visível algo que normalmente escapa ao olhar humano.

O movimento do pêndulo ocorre continuamente no espaço, mas sua trajetória completa raramente pode ser percebida como um desenho contínuo. Ao utilizar a técnica de longa exposição, o artista permite que o sensor da câmera acumule os rastros de luz ao longo do tempo.

Esse procedimento transforma o deslocamento da lanterna em uma forma gráfica. O tempo deixa de ser apenas uma dimensão invisível e passa a ser inscrito diretamente na imagem.

A fotografia, nesse caso, não captura um instante isolado, mas a duração de um fenômeno.

Pêndulo, tempo e leis físicas

Desde o século XVII, experimentos com pêndulos foram utilizados para investigar fenômenos como gravidade, periodicidade e medição do tempo. A regularidade do movimento pendular permitiu o desenvolvimento de relógios de alta precisão e contribuiu para o avanço das ciências naturais.

Na série Movimento Pendular, esse instrumento clássico aparece como um gerador de imagens.

As formas registradas nas fotografias não são arbitrárias. Elas resultam diretamente das leis físicas que governam o movimento do pêndulo, incluindo gravidade, inércia e resistência do ar.

Cada variação na amplitude do movimento ou no comprimento do fio produz padrões diferentes na imagem final.

Fotografia da série Movimento Pendular de Felippe Moraes mostrando rastro de luz produzido por lanterna em movimento pendular.Fotografia da série Movimento Pendular de Felippe Moraes mostrando rastro de luz produzido por lanterna em movimento pendular.

Principais Exposições

2017 – Cosmografia – Baró Galeria (São Paulo, Brasil)
2018 – Imensurável – CAIXA Cultural Fortaleza (Ceará, Brasil)