








Felippe Moraes
Monumento a Euclides, 2017
Oito blocos esculpidos de arenito de Kliwa
aprox. 1300 × 1300 × 120 cm
Instalação permanente em Slănic-Moldova

Monumento a Euclides (2017), de Felippe Moraes, é uma instalação escultórica permanente dedicada ao matemático grego Euclides, autor do tratado Os Elementos, um dos textos científicos mais influentes da história.
Escrito há mais de dois mil anos, Os Elementos estabelece os fundamentos da geometria euclidiana — sistema lógico que organiza conceitos fundamentais como ponto, linha e plano. Esses princípios continuam a estruturar grande parte da matemática, da arquitetura e das representações espaciais utilizadas até hoje.
A instalação é composta por oito blocos de arenito de Kliwa, uma rocha sedimentar característica da região dos Cárpatos orientais. Esse tipo de arenito é formado principalmente por grãos de quartzo compactados ao longo de milhões de anos, resultado de antigos depósitos sedimentares marinhos presentes nessa área da Europa.
Cada bloco foi parcialmente seccionado para criar superfícies planas onde estão gravadas as primeiras definições do livro de Euclides. Entre elas aparecem conceitos fundamentais da geometria, entidades abstratas que constituem a base da construção racional do espaço.
A operação escultórica da obra funciona como uma metáfora visual para o próprio gesto intelectual da geometria.
Os blocos de pedra são originalmente irregulares e brutos, resultado de processos geológicos que se desenvolveram ao longo de milhões de anos. Ao intervir nessas massas naturais criando faces planas e inscrições geométricas, o artista evidencia o contraste entre a complexidade da matéria e o impulso humano de simplificar o mundo por meio de modelos abstratos.
A geometria euclidiana nasce justamente desse desejo de organizar a realidade através de definições claras e estruturas racionais. Ao gravar essas definições na superfície do arenito, a obra transforma conceitos matemáticos em inscrições materiais, conectando pensamento abstrato e matéria geológica.


Os oito blocos são posicionados em círculo, evocando diretamente a forma de antigos monumentos megalíticos.
Estruturas circulares feitas de grandes pedras, como círculos neolíticos e alinhamentos megalíticos, constituem algumas das primeiras arquiteturas monumentais produzidas pela humanidade. Esses espaços eram frequentemente associados à observação do céu, a rituais e a práticas simbólicas relacionadas ao cosmos.
Ao organizar as pedras nesse arranjo circular, Monumento a Euclides estabelece um diálogo entre duas maneiras fundamentais de compreender o mundo: a dimensão espiritual presente nos monumentos pré-históricos e o pensamento racional que emerge na matemática grega.
Assim, a obra aproxima duas formas de conhecimento que frequentemente parecem opostas: o mistério e a razão.
Outro elemento central da obra é a própria materialidade da pedra.
O arenito de Kliwa é uma formação geológica presente nos Cárpatos orientais e formada por sedimentos ricos em quartzo depositados em antigos ambientes marinhos. Ao longo de milhões de anos, esses sedimentos foram compactados e transformados em rocha, criando camadas minerais que hoje fazem parte da paisagem da região.
Ao utilizar essa pedra, o trabalho conecta diferentes escalas de tempo: o tempo profundo da geologia, o tempo histórico da matemática e o tempo presente da experiência artística.
As inscrições geométricas, gravadas na superfície da pedra, criam um encontro entre esses tempos distintos. A matemática aparece como uma linguagem capaz de atravessar séculos, enquanto o arenito funciona como suporte físico para a permanência dessas ideias.


Instalado permanentemente na cidade de Slănic-Moldova, o trabalho ocupa o espaço público como um monumento dedicado não a uma figura política ou militar, mas a uma ideia.
Nesse sentido, Monumento a Euclides pode ser entendido como um monumento ao pensamento abstrato. A obra celebra a capacidade humana de imaginar sistemas conceituais que organizam o espaço, estruturam o conhecimento e influenciam profundamente a forma como percebemos o mundo.
Entre pedra, matemática e paisagem, o trabalho transforma definições geométricas em arquitetura simbólica.