
Felippe Moraes
Monumento ao Horizonte, 2016
aço corten
480 x 300 x 90 cm









Monumento ao Horizonte (2016) é uma escultura pública permanente do artista brasileiro Felippe Moraes instalada no complexo cultural Caminho Niemeyer, em Niterói, em meio à Baía de Guanabara.
A obra consiste em uma torre de aço corten com 4,8 metros de altura que funciona como um observatório do horizonte. Em seu interior, uma escada de nove degraus conduz o visitante até uma abertura estreita cortada na estrutura metálica. Ao posicionar os olhos diante dessa fresta, o observador vê o horizonte diretamente à sua frente, enquadrado pela escultura e isolado visualmente de seu entorno.
A intervenção transforma a simples observação da paisagem em uma experiência escultórica e perceptiva. Ao recortar o horizonte, o monumento revela a delicada monumentalidade dessa linha imaginária que separa céu e terra. Trata-se de um limite que estrutura nossa percepção do espaço e da paisagem.
Arquitetura e experiência do observador
A escultura foi projetada como um dispositivo de observação. Diferente de um monumento tradicional que se impõe pela forma ou pela narrativa histórica, o Monumento ao Horizonte cria uma experiência direta entre o corpo do visitante e a paisagem.
Ao subir os degraus internos, o observador é conduzido a um ponto preciso de visão. A abertura no aço corten funciona como um visor que enquadra o horizonte do oeste, direção para a qual o monumento está permanentemente orientado.
Essa orientação não é arbitrária. O visor aponta para o ponto onde o sol se põe, estabelecendo uma relação direta entre escultura, geografia e fenômenos cosmológicos. A obra dialoga com tradições ancestrais de arquitetura e observatórios que organizam o espaço a partir dos movimentos do sol e da experiência humana do tempo.


Relação com a paisagem da Baía de Guanabara
O Monumento ao Horizonte foi instalado sobre um píer de concreto localizado em frente ao complexo Teatro Popular. A estrutura havia sido originalmente construída para receber embarcações que fariam a travessia entre Niterói e a cidade do Rio de Janeiro, mas o projeto nunca chegou a se concretizar plenamente.
A escolha desse local redefiniu o projeto da escultura. Banhado pelas águas da Baía de Guanabara e voltado diretamente para a capital fluminense, a obra estabelece um diálogo inevitável com a paisagem da cidade vizinha.
Através do visor, o horizonte enquadrado corresponde ao primeiro ponto visível da cidade imediatamente à frente, localizado na região do bairro do Caju. Essa relação geográfica transforma o ato de olhar em uma medição espacial precisa entre duas cidades separadas pela baía.

A distância do horizonte
A altura do visor da escultura foi calculada de modo que, ao olhar através dele, a distância entre o observador e a linha do horizonte seja exatamente a mesma distância até o primeiro ponto visível do Rio de Janeiro à frente, localizado no bairro do Caju. Essa distância é de 8,48 quilômetros, o equivalente a 8.480 metros.
Esse cálculo deriva da obra A Distância do Horizonte (2011-) que determina o número a partir da altura dos olhos de um observador sobre a superfície da Terra. Ao incorporar essa medida ao projeto escultórico, a obra conecta percepção, matemática e experiência física do espaço.



O Monumento ao Horizonte parte de uma reflexão sobre como a experiência do real acontece através do corpo e de sua presença física no espaço. O cálculo da distância do horizonte depende diretamente da altura dos olhos de cada pessoa, revelando a diversidade das experiências humanas.
A escultura propõe uma inversão simbólica dessa lógica ao oferecer um ponto de observação comum. Todos que sobem os nove degraus e posicionam os olhos diante do visor passam a compartilhar exatamente o mesmo ponto de vista e a mesma distância em relação ao horizonte.
Independentemente de altura, idade, identidade ou condição social, todos os visitantes encontram-se submetidos às mesmas leis físicas, geográficas e cosmológicas.
Nesse sentido, o Monumento ao Horizonte funciona como um nivelador da experiência humana e de seu lugar no tempo e no espaço. A obra transforma a contemplação da paisagem em uma reflexão sobre nossa posição diante do infinito.