Felippe Moraes
Chão Medido, 2012
85 x 59,4 cm (cada imagem)
impressão fotográfica sobre papel Fine Art
Ed. 5 + 2PA

O políptico Chão Medido reflete sobre o impulso civilizatório de medir, dividir e delimitar a terra. Ao transformar o solo em unidades calculáveis, instauramos não apenas um sistema técnico de organização do espaço, mas também uma lógica profundamente política de posse, controle e exclusão. A terra medida torna-se território administrado, uma superfície submetida à régua e ao limite.

No entanto, aquilo que é mensurado e contido raramente acolhe a dimensão subjetiva da existência humana. Há algo de instável em caminhar sobre um chão excessivamente definido, como se a precisão do cálculo reduzisse a complexidade das experiências que nele se desenrolam.

Nesse sentido, a obra ecoa o verso de João Cabral de Melo Neto em Morte e Vida Severina:
“É a parte que te cabe deste latifúndio.
Não é cova grande, é cova medida.
É a terra que querias ver dividida.”

Entre a medição e o destino, entre a régua e a cova, o chão revela sua dimensão mais dura: aquilo que se divide para organizar o mundo é também aquilo que delimita o lugar final de cada corpo.

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